Que os empresários são uma corja de oportunistas, ladrões, corruptos e altamente nocivos aos clubes e jogadores já se sabia, mas até agora se desconhecia o tipo de exigências (e Fergunson apenas destaca algumas) com que manobram afim de vergar o clube interessado no concurso deste ou daquele jogador.
São jogadas sujas, torpes e a ausência de escrupulos que instalaram no futebol, a nível de aquisições, a bandalheira e a roubalheira existentes.
Também é verdade que muito têm contribuído para o panorama caótico das finanças dos clubes -a desonestidade por um lado e a incompetência pelo outro- certos dirigentes,os tais que se candidatam para servir e acabam por se servir das instituições que neles confiaram. Exemplos? Há tantos que se torna desnecessário referir.
Alex Fergunson, um homem sem medo, põe o dedo na ferida. E vai doer muito a muito chulo que circula no circuito ''el dorado'' do futebol aproveitando a vaidade de uns e a desonestidade da maioria dos dirigentes desportivos.
DECLARAÇÕES QUE AJUDAM A PERCEBER CERTAS TRANSFERÊNCIAS:
A conversa começou à volta da novela com a renovação de Wayne Rooney e derivou para os pedidos mais excêntricos dos empresários. Alex Ferguson abriu a cortina sobre os processos de negociação de atletas e mostrou a insatisfação pela forma como os agentes têm «uma imaginação para além do razoável.»
Uma vez, revelou o treinador, o Manchester United queria contratar um jogador e foi transmitido ao clube que as negociações para a transferência do atleta só seriam possíveis se o clube comprasse um bloco de apartamentos, apartamentos esses para naturalmente oferecer ao empresário que mediava o negócio.
Outra vez o clube queria contratar um avançado, mas o empresário exigiu que o seu jogador recebe bónus por cada golo que marcava. «Pedi ao clube se podiam por favor lembrar essa pessoa que essa era a primeira razão por que estávamos a contratar o jogador: porque ele marcava golos», conta Ferguson.
«Fico chateado quando alguns treinadores me telefonam a contar que este jogador ou aquele - e estamos a falar de jogadores que não podiam limpar as botas dos meus miúdos da equipa de reservas - pedem um milhão de euros por ano para assinar contrato. Isso é que torna tudo decepcionante», referiu.
«No Man. United a maioria dos jogadores merece o que está a receber. Jogam em frente a 75 mil pessoas todas as semanas, têm êxito, são bons jogadores e profissionais honestos. Eles mostram produção, trazem gente ao estádio e merecem. Mas existem atletas em outros clubes que recebem fortunas não sei porquê.»
Esta conversa, como já se disse, veio a propósito das dificuldades em renovar com Rooney, dificuldades essas que o Man. United desconfia terem sido provocadas por promessas do Manchester City através de um empresário. «Acho que ele foi mal aconselhado, mas percebeu que estava a cometer um erro.»
Curiosamente um dos filhos de Alex Ferguson já foi empresário de jogadores. Jason Ferguson foi até tema de um documentário sobre a actividade dos agentes de futebol. «Não lido com eles directamente, mas o chefe-executivo David Gill tem de o fazer, e é um trabalho duro. Eles têm uma imaginação que é inacreditável.»
in: Mais Futebol
































